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Dar: Uma Graça que Poucos Desejam

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Porque em meio de muita tribulação, manifestaram abundância de alegria, e a profunda pobreza deles superabundou em grande riqueza da sua generosidade” (II Cor. 8:2).

Seguem alguns princípios nos quais você deve meditar e pensar porque dizimar e ofertar são tão importantes, diria até mesmo indispensáveis para a vida de todo o cristão.

 

 

PRIMEIRO PRINCÍPIO

A boa situação financeira não deve ser pré-requisito para alguém contribuir.

A igreja da Macedônia resolveu começar a contribuir numa hora em que qualquer economista chamaria de “momento de loucura” ou de “euforia irresponsável”.

Na realidade, se havia uma igreja necessitando pedir oferta era a Macedônia.

Eles eram quase tão pobres quanto aqueles aos quais resolveram ajudar:

“Porque em meio de muita tribulação, manifestaram abundância de alegria, e a profunda pobreza deles superabundou em grande riqueza da sua generosidade” (II Cor. 8:2).

Há pessoas e igrejas que estão esperando ficar ricas para então começarem a investir em missões, interna e externamente. Há outros que desculpam sua falta de interesse na graça de contribuir alegando a situação financeira do país. Há também alguns que só se movem na direção da contribuição se ouvirem a mais espetacular de todas as histórias de necessidade e carência. Eis a tentação da maioria das missões: exagerar no espetáculo da miséria a fim de obter ajuda.

 

SEGUNDO PRINCÍPIO

Alegria, generosidade, voluntariedade e boa-vontade são motivações indispensáveis a quem quer contribuir.

Porque em meio de muita tribulação, manifestaram abundância de alegria, e a profunda pobreza deles superabundou em grande riqueza da sua generosidade” (II Cor. 8:2).

 

TERCEIRO PRINCÍPIO

A contribuição deve ser extra-ordinária e não ordinária.

Dar o que se têm sobrando, ou o que não nos faz falta, ou o que não nos cria limitações não é ainda o dar conforme se requer no Novo Testamento. Paulo diz: “A profunda pobreza deles superabundou em grande riqueza” (2b). Tamanha foi a grandeza humana do gesto dos macedônios que eles deram “namedida de suas posses e mesmo acima delas se mostraram voluntários” (3b).

 

QUARTO PRINCÍPIO

A contribuição deve ser uma extensão do compromisso que se tem com o louvor a Deus, com a maturidade espiritual e com a propagação do Reino de Deus.

Inicialmente nossas ofertas devem ser extensão de nosso culto racional. Ora, o culto racional é a entrega das múltiplas dimensões da vida no altar de Deus como resposta humana às muitas misericórdias divinas que nos alcançaram (Rm. 12:1-3). Por isso, corpo, mente e espírito devem se entregar a Deus na integração do culto-uno, na liturgia não esquizofrenizada da vida. Nesse sacerdócio onde o homem é o oficiante e a oferta ao mesmo tempo, todas as dimensões da vida devem se subordinar a Deus num ato de racional e consciente desejo.

 

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QUINTO PRINCÍPIO

A contribuição tem que ter fins, meios e motivos.

A contribuição tem que ter fins, meios e motivos. Traduzindo este princípio, ele fica assim: quando contribuo, necessito ter fins dignos,meios justos e razões corretas, pois as razões determinam os fins e os fins pré-existem nos meios; ou seja, eu nunca tenho objetivos (fins) melhores que minhas razões (motivos); e meus objetivos, se são bons, sempre determinam os melhores meios de eu poder realizá-los.

 

SEXTO PRINCÍPIO

A contribuição só é efetiva mediante diligência, presteza e zelo.

É justamente neste ponto que nós, mais falhamos. Isso porque em geral somos o oposto: relaxados, descansados e negligentes. Quando digo isso falo daqueles que se esquecem de compromissos, demoram a responder ou a tomar decisões fundamentais e são remissos e negligentes em assuntos que de nós requerem zelo.

 

SÉTIMO PRINCÍPIO

A contribuição tem que ser feita ainda que ela signifique um auto- empobrecimento.

Uma das freqüentes afirmações que ouvimos de homens abastados (como já dissemos, proporcionalmente ao que possuem eles, são em geral os que menos dão) é a de que não devem ser tão generosos a fim de não empobrecerem pelas muitas doações.

 

OITAVO PRINCÍPIO

A contribuição deve ser o resultado da compreensão de que no ciclo da solidariedade toda abundância é dada para suprir a pobreza.

O auto-empobrecimento só é admissível se voluntário, exercido em amor e bom senso, para a mais justa das causas, sem constrangimento e como o último gesto do contribuinte, ou seja, uma ação “in extremis”.

 

NONO PRINCÍPIO

As contribuições para a obra de Deus devem ser criteriosamente administradas e abertas a auditorias cristãs.

A preocupação de Paulo com este aspecto do processo da contribuição é simplesmente extraordinária. Ele diz que Tito estava incumbido de levar a oferta dos macedônios à Judéia (II Cor. 8:16-18), como também de apanhar a oferta dos coríntios (II Cor. 9:2-5) e dar a ela o mesmo justo destino. Todavia, ao afirmar isso, nos faz uma das mais belas lições sobre a cautela de um homem de Deus na administração dos recursos da obra do Senhor:

“E com ele (Tito) enviamos o irmão cujo louvor no evangelho está espalhado por todas as igrejas. E não só isso, mas foi também eleito pelas igrejas pra ser nosso companheiro no desempenho desta graça ministrada por nós, para a glória do próprio Senhor, e para mostrar a nossa boa vontade; evitando assim que alguém nos acuse em face desta generosa dádiva administrada por nós, pois o que nos preocupa é procedermos honestamente, não somente perante o Senhor, como também diante dos homens” (II Cor. 8:18-21).

 

DÉCIMO PRINCÍPIO

O espírito de contribuição deve estar alerta em todos os crentes afim de que não haja necessitados despercebidos.

Nesse ponto de nossa exposição, nos confrontamos com os olhos, a sensibilidade e as mãos do Corpo de Cristo: os olhos vêem (I Cor. 12:21a), o coração sente misericórdia (Rom. 12:8c) e as mãos agem em socorro do necessitado (I Cor. 12:21b, 28c – socorros). Tudo isso na perspectiva geral da contribuição como um ministério de todos os crentes. É verdade que há pessoas dotadas de especial capacidade dever,sentir eagir na direção do socorro ao necessitado (Rm 12:8b). A essa capacitação o Novo Testamento chama “dom de contribuição”. Trata-se daquela pessoa em cujas mãos os dons se multiplicam justamente a fim de que sejam liberalmente distribuídos por esse cristão ungido com o carisma da contribuição especial.

 

DÉCIMO PRIMEIRO PRINCÍPIO

A contribuição alegre e voluntária é desencadeadora de um ciclo de bênçãos.

Isso por que não é necessário que se seja crente para que os nossos recursos sociais e econômicos aumentem. Jesus bem sabia disso (Lc 12:16- 21).

Quando o Novo Testamento faz promessas ao homem generoso, não faz um negócio com a generosidade.

Não podemos nos esquecer de que contribuir é uma concessão de Deus a nós, é uma graça – favor imerecido – e não uma dádiva nossa a Deus.

Outra coisa que necessitamos ter em mente é que a promessa que Deus faz de prosperidade aos generosos, não é porque Seu divino coração tenha sofrido uma forte comoção ante tão grandes gestos de bondade humana. As promessas de Deus a nós são pura e simplesmente graça.

Além disso, tal realidade fica mais do que clara, pois o que Deus promete fazer – abençoando e trazendo prosperidade aos dadivosos – acontece numa perspectiva de total contraposição aos princípios e regras econômicas de multiplicação de recursos. A ideologia econômica capitalista funciona a partir da idéia de que quem tem, mais terá, ou seja, dinheiro faz dinheiro, num interminável ciclo. Mas a promessa de prosperidade que Deus faz em sua palavra aos dadivosos contraria em muito o princípio capitalista. No enunciado divino, a coisa fica mais ou menos assim: quem muito dá, muito terá, pois quem dá aos homens com a alegria de quem devolve à Deus, receberá de Deus muito mais do que aquilo que aos homens deu.

Veja o texto de Paulo como traduz inigualavelmente esse princípio:

“E isto afirmo: Aquele que semeia pouco, pouco também ceifará, e o que semeia com fartura, com abundância também ceifará. Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama à quem dá com alegria. Deus pode fazê-los abundar em toda graça, a fim de que, tendo sempre, em tudo, ampla suficiência, superabundeis em toda boa obra, como está escrito: Distribuiu, deu aos pobres, a sua justiça permanece para sempre. Ora, aquele que dá semente ao que semeia, e pão para alimento, também suprirá e aumentará a vossa sementeira, e multiplicará os frutos da vossa justiça; enriquecendo-vos em tudo para toda a generosidade, a qual faz que por nosso intermédio sejam tributadas graças a Deus” (II Cor. 9: 6 a 11).

 

DÉCIMO SEGUNDO PRINCÍPIO

A contribuição gera um processo de um louvor que se retro-alimenta Indefinidamente.

Todos os movimentos da graça divina são movimentos de retro-alimentação:

“Bem-aventurados os misericordiosos, por que alcançarão a misericórdia” (Mt.5:7).

“Pois ao que tem, se lhe dará, e terá em abundância” (Mt. 25:29a).

Talvez a afirmação mais forte de que graça gera graça esteja no texto de Efésios 1:6. Literalmente, o apóstolo diz que recebemos graça gratuita. Com isso ele está querendo ensinar que antes de recebermos a graça, já a própria graça nos preparava para isso. Nesse caso, diríamos que há uma graça de preparação que nos habilita para a graça de recepção:

“nos predestinou para ele, para a adoção de filhos... para o louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no amado”. (Ef 1:6)

E a bendita redundância de uma graça gratuita.

Paulo entendia esse princípio de que a virtude gera virtude, num “efeito cascata”, também em relação ao louvor e as ações de graça:

“Por que o serviço desta assistência não só supre a necessidade dos santos, mas também redunda em muitas graças a Deus, visto como, na prova desta ministração, glorificam a Deus pela obediência da vossa confissão quanto ao evangelho de Cristo, e pela liberalidade com que contribuís para eles e para todos enquanto oram eles a vosso favor, com grande afeto, em virtude da superabundante da graça de Deus que há em vós” (II Cor. 9:12-14).

 

DÉCIMO TERCEIRO PRINCÍPIO

A contribuição financeira é a resposta material à compreensão de que se recebeu o dom inefável: Jesus

A coisa mais admirável que se encontra na teologia cristã é a sua capacidade de unificar a existência, devocionalizando-a, liturgizando-a e sacramentalizando-a:

“Seja o mundo seja a vida, seja a morte, sejam as coisas presentes, sejam as coisas futuras, tudo é vosso, e vós de Cristo, e Cristo de Deus” (I Cor. 3:22).

Em Cristo, acabam-se as dicotomias, os dualismos, as separações, as departamentalizações e os seccionamentos. A vida se unifica e tudo tem que apontar na direção da glória de Deus.

 

Transcrito do Livro: Uma graça que poucos desejam – Ver. Caio Fábio (1986)